quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tocou a campainha da minha casa. Levantei-me do sofá e fui atender a porta.
Ao abrir a porta vi aquele rosto que eu não via há muito tempo e que eu sentia muita falta. Olhei para ele e vi uma lágrima escorrendo em seu rosto. Dei um abraço nele.
-O que aconteceu? Entra.
Ele entrou ainda chorando e se sentou no sofá enquanto eu fechava a porta.
Sentei-me ao seu lado e fiquei vendo-o chorar e esperando que ele se acalmasse para entender o que havia acontecido.
-Eu não aguento mais isso.
-O que aconteceu? -A angustia tomava conta de mim.
-Eu não posso mais enganá-la.
-Enganar a quem? -Estava confusa e desesperada. O ver chorando daquele jeito me deixava extremamente angustiada.
-Minha namorada. -Essas palavras, como sempre, me machucaram muito. Respirei fundo.
-Porque enganá-la? -Falei segurando as lágrimas que queriam cair.
-Eu não a amo, nunca amei. Comecei a namora-la para não sofrer.
-Como não à ama? Lógico que ama! Está com ela há tanto tempo, você sempre a amou.
-Não! Eu nunca a amei. Eu só não queria sofrer, então comecei a namorar e me acostumei com isso.
Isso tudo estava me perturbando.
-Não queria sofrer? Como assim? Porque sofreria?
-Porque eu tinha brigado com a pessoa que eu amava.
Agora ele falava olhando nos meus olhos e, na intenção de esconder as lágrimas que escorriam dos meus olhos, abaixei a cabeça.
-Olha para mim.
Levantei a cabeça e vi que ele continuava chorando. Não sabia o que dizer. Estava perdida em meus pensamentos e na minha dor.
-O meu orgulho sempre falou mais alto. Não podia perdoar tão fácil, não podia fingir que nada havia acontecido porque isso me machucou demais, e precisava fingir sentir um dos piores sentimentos, mas nada disso é verdade, vivo todo esse tempo em uma mentira.
Abaixei a minha cabeça novamente e ele a levantou e olhou nos meus olhos.
-Porque? Porque você fez isso?
-Orgulho.
-E os meus sentimentos? Você realmente não se importa com eles né? Porra, eu sofri muito no começo, sofri durante todo esse tempo e ainda sofro. Você não podia deixar o orgulho de lado pelo menos uma vez? Enquanto você mantinha o seu orgulho eu me humilhava. No começo, não acreditava na indiferença, mas depois de tanto tempo passei a acreditar. Você tem noção de quanto tempo eu te amei? De quanto tempo eu sofri? E agora, que eu estava melhor você joga tudo isso na minha cara? Você me machuca. Eu não posso acreditar no que está me falando.
-Eu deveria ter pensado em você, nela...
-Deveria, deveria ter pensado antes em tudo que você sentia, no que eu sentia, no que ela sentia e ter pensado antes de tomar essas atitudes que machucaria tanta gente. E o seu orgulho se mantém, como seria agora? Como vai ser? Pensa nela! O que você vai fazer? Como ela vai ficar?
-Você ainda me ama? -Eu chorava muito e não queria ter de responder à esta pergunta.
-O que você acha? -Nesse momento eu desabei. Não tinha mais forças para falar, chorava descontroladamente sem conseguir levantar a cabeça e olhar para ele.
-Então me espera só mais uma semana?
Ele levantou a minha cabeça, olhou nos meus olhos e pediu novamente:
-Me espera só mais uma semana, por favor, eu te amo, eu sempre te amei.
-Não sei. -A vontade de dizer que o esperava quanto tempo fosse preciso era enorme, mas pensava em tudo que havia sofrido e a dor voltava.
-Por favor. Eu te amo demais. -Ele havia voltado a chorar.
Pegou a minha mãe e eu abaixei a cabeça.
-Não aguento mais sofrer, já sofri muito.
-Então vamos ser felizes juntos.
-E o seu orgulho? Vou continuar me humilhando sempre? Você vai me deixar depois de duas semanas e vou sofrer tudo de novo?
-Não! Me desculpe por tudo que te fiz sofrer até agora e eu juro que tentarei melhorar. -Nesse momento levantei a cabeça sem acreditar no que eu havia escutado. Ele havia deixado o orgulho de lado e me pedido desculpas? Levantei a cabeça, respirei fundo e falei o que veio na minha cabeça.
-Você mudou mesmo, né? Um pouco pelo menos.
-Sim. Eu te amo, me espera?
Ele me beijou. Ele não precisou de uma resposta.
O levei até a porta, ele me deu outro beijos.
-Te amo.
Fechei a porta, entrei e ainda não conseguia parar de chorar nem acreditar no que acabará de acontecer.

Giulia (:

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