Cheguei na festa sozinha, entrei e comecei a procurar algum rosto conhecido. Já tinha procurado na festa quase inteira, quando senti uma mão tocando delicadamente a minha mão esquerda. Olhei para nossas mãos e enquanto subia o olhar vi o braço cheio de tatuagens que já conhecia.
-Oi Giu.
-Oi.
Eu estava sem reação, sem saber o que dizer ou fazer. E ele continuou.
-Você está linda.
Agora minhas bochechas já estavam roxas, eu estava morrendo de vergonha.
-Obrigada. Você também está lindo.
Nesse momento desviei o olhar tentando achar algum rosto conhecido novamente. Com a tentativa frustrada voltei a olhar para ele que continuava com aquele sorriso lindo que eu havia visto poucas vezes mas que, logicamente, me fazia muito bem.
Olhei novamente para nossas mãos, agora tentando solta-las delicadamente, voltando a encará-lo com um meio sorriso.
-Você veio sozinha né?
-Ia encontrar uma amiga, e você?
-Também.
Não conseguia parar de olhar envergonhada para aquele sorriso que me fazia sorrir também. As vezes tentava disfarçar, olhar para outros lugares até que vi o balcão que servia bebida. Revezava o olhar entre ele e o balcão e ele, então entendeu o que eu queria.
-Vamos beber alguma coisa?
-Aham.
Saímos andando em direção ao balcão. Sem me perguntar, ele pediu.
-Duas doses de vodka por favor.
Olhou para mim e voltou a sorrir. Dei um sorriso torto, abaixei a cabeça e dei uma risadinha.
Viramos a primeira dose de vodka e ele continuou ali, olhando para mim.
-Porque você não está com a sua amiga?
-Não a achei, ela não deve ter chegado ainda, e não atende o celular. E você?
-Vi no twitter que você viria.
Agora sim eu estava constrangida e sem saber o que falar. Fiquei olhando nos olhos dele e o sorriso se mantia em seu rosto.
Não consegui esconder a minha felicidade. Havia esperado muito tempo por isso.
Ele pediu outra dose de vodka, nós bebemos e então, olhando nos meus olhos ainda com o seu sorriso que me hipnotizava ele falou.
-Giu, eu te amo.
E me beijou. Naquele momento eu não estava acreditando no que estava acontecendo, nem entendendo o que eu estava sentindo. Na verdade, nem sei se tem um sentimento especifico para o que eu senti. Eu esperei tanto tempo por aquele beijo e aquelas três palavras direcionadas a mim, que eu nem sabia o que estava sentindo, talvez tenha achado que foi um sonho, mas quando paramos de nos beijar, o sorriso continuava naquele rosto perfeito.
Enquanto ele mantia o sorriso, uma lágrima escorria do meu olho direito, eu abaixei a cabeça.
Ele a levantou olhou nos meus olhos agora sem o sorriso e com um olhar preocupado que também tinha visto pouquíssimas vezes naquele rosto. Enxugou a lagrima que havia escorrido em meu rosto.
-O que foi? Você ta bem? Você não queria isso? Você não gostou? Eu te decepcionei de novo?
As palavras entravam na minha cabeça e eu não conseguia achar uma resposta para nenhuma das perguntas que ele estava me fazendo. Eu tentava responder aquelas perguntas em minha cabeça e não conseguia. Então, eu vi seus olhos cheios de lágrimas, ele abaixou a cabeça e aquilo me deu uma angustia absurda.
-Não! Não! Não! Eu gostei, você não me decepcionou, acho que era o que eu queria, desculpa, eu te amo.
Enxuguei as lágrimas no rosto dele.
-Então por quê? Porque está chorando? Porque não está com o mesmo sorriso que eu estava?
-Eu não sei.
-Você não disse que me ama?
-Sim! Eu te amo demais.
-Então por quê?
O barulho da festa estava me incomodando, e a ele também. Então ele disse:
-Vamos embora? Vamos para um lugar mais tranqüilo?
Conscenti com a cabeça.
Ele pegou minha mão, a minha comanda, pagou o que havíamos bebido e chamou um taxi.
-Vamos para uma pizzaria na vila madalena.
No caminho, nenhum dos dois pronunciaram uma só palavra, mas a mão dele ainda segurava a minha e eu podia perceber seu olhar preocupado e confuso.
Chegamos na pizzaria, ele pagou o taxi, descemos e sentamos em uma mesa.
-O que aconteceu meu amor? Eu fiz alguma coisa errada?
Eu não estava acreditando que ele havia dito “meu amor”. O que estava acontecendo?
-Eu estou com medo.
-Medo? Medo do que Giu?
-Medo de chegar em casa com um sorriso no rosto, acordar amanhã e perceber que não é nada disso, que você não me ama, que você fez isso porque estava bêbado ou seilá.
Disse isso mesmo sabendo que ele não estava bêbado, nem ele nem eu. Nenhum dos dois estávamos bêbados.
-Eu não faria isso com você. Eu posso agir errado as vezes, mas eu nunca brincaria com os seus sentimentos assim. Eu já te amei antes, porque não poderia voltar a te amar?
-Eu não sei.
Eu não sabia bem o porque, mas eu estava acreditando naquelas palavras por mais que achasse que não deveria acreditar, mas meu coração dizia que ele estava sendo sincero.
Ele pegou a minha mão que estava em cima da mesa e com a outra chamou o garçom.
-Dois cardápios por favor.
Pronto, ele já havia colocado aquele sorriso lindo no rosto perfeito de novo, e mais do que isso, havia conseguido me fazer sorrir também.
-Pizza do que?
-Você escolhe.
Chamou o garçom novamente.
-Quero uma pizza de quatro queijos.
-E para beber.
-Duas cocas com gelo e limão.
-Ok.
Ele olhou para mim novamente.
-Fico feliz em ver que eu te fiz sorrir depois de ter te feito chorar.
-Você me fez sorrir muitas vezes já. Feliz estou eu em perceber que uma vez pelo menos, eu te fiz sorrir.
-Você não sabe porque eu não falo, mas você me fez sorrir varias vezes já.
Essas palavras me fizeram sorrir mais e, é claro ficar com vergonha.
Abaixei a cabeça novamente. Ele a levantou.
-Ei, não esconde o seu sorriso, não esconde o que me faz feliz.
A pizza chegou.
Comemos, sem conversar, simplesmente trocando olhares e sorrisos.
Quando acabamos de comer, ele pediu a conta, pagou e chamou um taxi.
Fomos para minha casa. Ficamos lá juntos assistindo tv e conversando.
Eu continuava sem entender o que tinha acontecido. Eu estava completamente feliz, sem saber o que dizer, querendo que aquela noite não acabasse nunca.
Quando minha mãe abriu a porta de casa, ele se levantou.
-Agora você não estará mais sozinha, vou embora, boa noite.
E me beijou.
-Mesmo?
Eu não queria que ele fosse embora, mas também não ia forçar nada. Mesmo porque já teria que explicar para minha mãe o que estava acontecendo.
-Mesmo. Amanhã a gente se vê.
Deu o seu sorriso lindo de novo que eu não pude resistir. Ele me beijou de novo. O acompanhei até a porta.
-Tchau meu amor.
-Tchau, eu te amo.
Esperei a porta do elevador se fechar, e fechei a porta. Tirei meu sapato de salto e fui em direção ao meu quarto.
Deitei na cama, peguei meu celular e mandei uma mensagem para ele:
“Foi o melhor dia da minha vida, obrigada por me fazer tão feliz, eu te amo demais e estou aqui sempre. Valeu muito a pena te esperar todo esse tempo. Beijos, te amo.”
Depois de alguns minutos, meu celular tocou, me avisando que tinha uma nova mensagem:
“Eu também estou muito feliz. Que bom que te fiz feliz pelo menos uma vez. Eu te amo muito e amanhã a gente se vê. Já estou com saudades. Beijos, boa noite.”
Deixei meu celular do meu lado na cama, e fui dormir
by Giulia :D
domingo, 31 de outubro de 2010
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