Ele me ligou, eu atendi.
-Oi.
-Oi, tudo bem?
-Aham e você?
-Tudo... preciso falar com você.
-Fale.
-Quero acordar, sem temer sair nas ruas, conhecer lugares, pessoas, você. Será que o mundo endoidou? Ou só eu que ainda não me atualizei, desconectei.
Fiquei sem entender, quieta no telefone, então ele continuou.
-Será que assisti TV demais? Não se fala de amor nos jornais, se o mundo pudesse ver com o próprio coração. Somos todos irmãos. É o amor.
Comecei a chorar, ele percebeu. Permanecemos em silêncio por alguns minutos e depois ele voltou a falar.
-Músicas de amor que eu ouvia sumiram do rádio e eu busquei um tempo pra escrever algo pra ti e acho que eu encontrei a música de amor que eu queria cantar pra você e mais ninguém. Sempre que eu quiser você aqui é só voltar e dar o play.
-Eu não tenho o que te falar.
-Praças vazias querem casais, os cinemas vazios querem muito mais. Nossos carros são blindados prova de recados. Ninguém mais quer conversar.
-Eu sempre quis conversar, mas chega uma hora que não aguento mais correr atrás. É dificil me humilhar o tempo todo. E, por favor, não me fale essas coisas.
-Carros não, fama não, inveja nao. O amor sim. Amor pra mim, e pra você.
-Eu juro que não tenho o que falar. Eu já cansei de tentar conversar com você, porque a gente nunca consegue.
-Mas eu te amo, demais. E eu estou disposto a conversar agora, com calma.
-Sem brigas?
-Sim.
-Então vem pra cá.
-Ok. Tô indo, me espera aí por favor!
-Ok.
Desliguei o telefone, levantei do sofá e fui me arrumar.
Play - Cine.
By Giu :D
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
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