quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tocou o meu telefone, vi o nome dele junto a sua foto, relutei para atender, no fim, atendi.
-Alô.
-Oi, tudo bem?
Ouvi a angustia e o nervosismo em sua voz.
-Tudo. E com você?
-Aham...
-Fala. (No fundo, tinha medo do que iria ouvir).
-Se você não quiser responder, não precisa, mas eu acho que você vai acabar falando.
Fiquei quieta, então ele continuou.
-Eu admiro o que me faz voltar a ver a vida como eu sempre quis.
Continuei em silêncio, até agora não tinha o que falar, e ele continuou.
-Minhas verdades ninguém via mudar, nem apagar o que foi feito aqui.
Agora eu precisava responder.
-Hoje eu sou o que restou da dor... da minha dor.
-Não posso me esconder, mas que a verdade seja dita agora.
Ele ficou em silêncio. Percebi que isso pedia uma resposta.
-Eu mudei por você, mas não quis sofrer por ser tão real pra mim. Vou, aprendo a vivere num segundo perder o medo de ser quem eu sou. (Uma pausa). Ser quem eu sou.
Ele permaneceu em silêncio, os papeis haviam se invertido. Então eu continuei.
-Que a vida me leve a final, não tenho mais medo de errar e aprender com os meus passos escuros. (Mais uma pausa). Com os meus passos escuros.
Fiquei em silêncio, esperando agora uma resposta dele. Ele demorou para responder e o que ele conseguiu responder foi:
-Desculpa.
Ouvi a voz de choro dele e comecei a chorar, sem deixar que ele percebesse. Fiquei quieta por um tempo para que ele não percebesse o que estava acontecendo.
-Já foi, eu já estou bem, não peça desculpas agora.
-Isso quer dizer que você não me desculpa? (Ele chorava muito).
-Não é isso. Eu te desculpo, mas isso vai mudar alguma coisa?
-Eu queria que mudasse.
Estava quase chorando de novo. Mas consegui me controlar.
-já faz tempo. (Foi só o que eu consegui falar).
-Eu sei, mas eu ainda te amo.
Fiquei em silêncio, estava chorando de novo. Respirei fundo e continuei.
-Não tenho o que falar.
Nós dois ficamos quietos. Até que ele resolveu falar de novo.
-Por favor? Diz que me desculpa.
-Eu já falei que desculpo. Sério, não torne as coisas mais dificeis do que já são.
-Eu quero concertar as coisas, não piorar, acredita em mim.
-Eu acredito em você. Mas acho que o jeito que você quer concertar as coisas só vai piorar. O que você quer? Voltar? Para daqui a algum tempo terminarmos de novo e os dois sofrerem?
-Não. Isso não vai acontecer. Eu juro.
-Não faz isso. Do jeito que está tá bom.
-Tá bom? (Ele chorava muito e, aquilo estava me deixando angustiada).
-Não. Bom não, mas a gente vai superar isso. Se a gente voltar e terminar de novo, vamos voltar a estaca zero. E vai ser bem mais dificil.
Ele não conseguia falar, estava chorando muito e aquilo estava me machucando. Depois de um tempo ele conseguiu falar.
-Eu... tenho que desligar porque vou sair, depois a gente se fala.
-Ok. (Falei aliviada, aquela conversa estava dificil).
Ficou em silêncio de novo. Então, acrescentei.
-Só se lembre sempre, que a minha amizade você sempre vai ter. E, espero, que tenha a sua também.
-Beijo.
Ele desligou, e eu comecei a chorar.

Passos escuros - Hevo84.

By Giu :D

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